quarta-feira, junho 26, 2013

Horizontes da memória

Numa altura em que se prestam tantas homenagens e se recordam os gloriosos feitos dos que já partiram, deixamos-vos hoje aqui um texto que o Jornal "Notícias de Ourém" publicava na sua edição de 11 de Junho de 1967, sob o título "Cândido Afonso Machado e Costa":
"A morte, na sua implacável e tenebrosa tarefa, acaba de levar-nos um dos homens que mais têm amado esta nossa terra. Não era ouriense pelo nascimento mas sim transmontano de boa raiz, e até nós veio, homem feito, depois de galhardamente ter ocupado o seu posto de oficial miliciano na terra fria da Flandres, quando da primeira Grande Guerra.
Até nós veio então e aqui se radicou, desde novo portanto, primeiro como funcionário das Finanças e depois da Justiça em que permaneceu até se aposentar, com dois curtos interregnos de serviço fora da nossa Comarca, um em Soure e outro, no final da carreira, em Lisboa.
A sua vida, portanto, decorreu praticamente toda em Ourém, onde constituiu um lar perfeito - e de tal modo que, na falta de filhos, o repartiu, generoso e feliz, por aqueles que o não possuíam.
Convictamente afirmamos que não sabemos de homem algum que melhor se identificasse com a bondade, a tolerância, a paciência, e que maior dignidade e correcção pusesse em todos os seus actos. Por isso, ser companheiro do Cândido Machado era título honorífico que todos disputavam e que ele magnífica e prodigamente repartia.
Ourém deve-lhe bastante, pois nunca a sua bolsa, a sua presença e o bom senso se recusavam a colaborar em iniciativas locais tendentes ao seu progresso. A fundação da Banda de Vila Nova de Ourém, a instalação do Cinema sonoro e outros melhoramentos onerosos tiveram o seu contributo largo. De todas as instituições da Vila fez parte como dirigente, e onde geralmente era chamado em situações difíceis, que requeriam por isso a sua ponderação e bom senso. Pertenceu à mesa administrativa do Hospital que fundou o Asilo e que promoveu a construção do actual edifício da Casa da Criança.
Por fim e apenas no propósito de bem servir Ourém, desempenhou, com inalterável dignidade e modéstia, as elevadas funções de vice-presidente do Município ouriense, cargo que deixou ainda há pouco tempo por motivos da sua já então abalada saúde.
O funeral constituiu uma sentida manifestação de pesar, tendo sido rezada missa de corpo presente na Igreja Matriz desta Vila. Nele se incorporou a Câmara Municipal, cujo Presidente também representava o Sr. Governador Civil de Santarém.
O féretro foi transportado numa viatura dos Bombeiros Voluntários de cujos corpos directivos o extinto tem feito parte.
Nos Paços do Concelho esteve hasteada a meia adriça, durante três dias, a Bandeira do Município.
O Sr. Cândido Afonso Machado e Costa deixa viúva a Sra. D. Maria Isabel de Barros e Sá Pereira Machado. Nasceu em Cerva, concelho de Ribeira de Pena, distrito de Vila Real, em 7 de Agosto de 1890, e era filho da Sra. D. Ana Teresa Bernardes Machado e Costa e do Sr. Alfredo Afonso Machado que chefiou a Repartição de Finanças deste concelho, e irmão da Sra. D. Luísa Machado e Costa, casada com o Sr. Jerónimo Machado, ausente nos Estados Unidos da América e tio da Sra. D. Maria José Machado e Costa Pereira, casada com o Sr. Sérgio Augusto Alves Pereira, ausente em Luanda.
À família enlutada e especialmente à Exma. Sra. D. Maria Isabel, que durante a longa doença de seu saudoso marido e até aos últimos momentos foi enfermeira extremosíssima, apresenta o «Notícias de Ourém» as suas muito sentidas condolências".
Foto: Blog iNovOurém
Se acrescentarmos a tudo isto, por exemplo o facto de ter sido o Sr. Cândido Afonso Machado e Costa o doador de todos os terrenos do quarteirão envolvente da Rua Luís de Camões em Ourém, ficamos a perceber que algo vai muito mal nesta nossa querida terra.
É claro que se o Sr. Cândido Afonso Machado e Costa tivesse doado uns "chouriços", colado uns selos numas cartas ou tivesse contribuído para o atraso da nossa terra durante mais de duas décadas, já teria tido com certeza o seu nome inscrito numa placa de uma qualquer ruela, edifício ou equipamento público deste tão vasto concelho. Porém, como foi o homem nobre que o Jornal "Notícias de Ourém" tão, justa e imparcialmente, referenciava há quase cinquenta anos, foi votado ao esquecimento...
Deixamos, neste sentido, aqui um veemente apelo à população do nosso concelho de Ourém: se conhecerem por aí alguém da mesma estirpe, com o mesmo nível intelectual e humano e que tenha feito tanto ou mais que o Sr. Cândido Afonso Machado e Costa por Ourém e pelos oureenses, por favor não hesite em nos contactar, pois teremos imenso gosto em também aqui - e à falta de melhor - lhe prestarmos a justa e a devida homenagem.

Até Sempre Queridos Pais e Avós "adoptivos",
Os Autores do Blog

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